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25 novembro 2006

Barathanatyam – A mais antiga das Danças Clássicas da Índia

O seu nome significa "Dança da Índia". Tem origem no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia.

Segundo a lenda, o deus Shiva ensinou ao "Bharat Muni" uma dança com muitos movimentos Tandavam (movimentos enérgicos, fortes e masculinos). Quando Parvathi, mulher de Shiva o viu a dançar, ficou aterrorizada com a quantidade destes movimentos e resolveu ensinar um pouco de movimentos Lassyam (delicados e femininos). A dança ensinada pelo casal Shiva e Parvathi torna-se então suave em alguns momentos e enérgica noutros: nasce a Bharathanatyam.

O estilo foi mantido ao longo dos séculos pela tradição das Devadasis, as dançarinas dos templos. Existem duas formas características específicas para as danças: a dança pura (nritta), que é uma combinação de passos que são entrelaçados e executados no ritmo da música, e a dança expressiva (nritya), preces ou histórias contadas através dos gestos das mãos (mudras), e expressões faciais (navarassam).

Nataraja – A Dança de Shiva I



A Dança de Shiva apresenta simbolicamente 108 Mudras (gestos místicos) realizados com o próprio corpo, e com as mãos, dos quais o movimento de dança mais conhecido é o Tandava. A imagem possui quatro braços, com os quais realiza a criação e a destruição cíclica do mundo.

Na mão direita, ao alto, ele segura o Damaru, o tambor em forma de ampulheta com o qual marca o ritmo cósmico e o fluir do tempo, e que simboliza o princípio do som, da palavra – do som vem toda a linguagem, a música e o conhecimento. O tambor simboliza também o éter ou espaço, que propaga o som e também o primeiro elemento que surgiu. O seu rufar significa: "Todo o universo segue um ritmo e a uma ordem cíclica. O tambor representa o som da criação.”

Na mão esquerda, ao alto, formando a Ardhacandra Mudra (mudra da meia lua), uma chama – símbolo da transformação e da destruição de tudo que é ilusório. "É chegada a hora da destruição, completando assim o ciclo da criação”. “No passado, o mundo acabou-se pelas águas de um dilúvio, agora a destruição virá pelo poder do fogo". As línguas de fogo ao redor do círculo significam: "As bordas da Terra serão queimadas pelo fogo".

Com as outras mãos, ele desenha outras duas Mudras. A direita, cuja palma está à frente, representa um gesto de afastamento do medo, de protecção e bênção – Abhaya Mudra. Ele diz-nos: "Não temam a mensagem da transformação que vos trago, pois eu represento a solução dos problemas”.

Nataraja – A Dança de Shiva

O Shiva Nataraja é uma das mais poderosas representações do Deus. Neste aspecto, Shiva aparece como o Rei (raja) dos Dançarinos (nata).

Na reclusão de sua morada, no alto do Monte Kailasa nos Himalaias, Shiva dança. A Dança tem por tema a actividade cósmica, a eterna transformação. Ao executar este ritual ele revolve toda a neve sob seus pés, e à sua volta, transformando o Universo com os seus passos. Assim enquanto dança, a neve remexida pelo movimento derrete-se e começa a formar um pequeno fio de água, que desce as montanhas formando pequenos veios, que mais abaixo se transformam numa volumosa fonte de vida que é o Rio Ganga.

Ele dança no interior de um círculo de fogo – símbolo da renovação – e, através da sua dança, Nataraja cria (sarga), conserva e destrói (pralaya) o Universo, simbolizando o ritmo diário de nascimento e morte, tanto no micro como no macrocosmos, tanto no homem como em tudo que o cerca, tornando Shiva o tecelão do Espaço e do Tempo.A Dança representa o eterno ciclo do Universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e da dança. Apesar dos seus movimentos serem dinâmicos, como mostram os seus cabelos esvoaçantes, Shiva Nataraja permanece com os seus olhos fixos, olhando internamente, em atitude meditativa – a sua expressão facial é de serenidade. Podemos observar em Nataraja a combinação do asceta (o yogui – Shiva é o mestre do Yoga e das ciências espirituais) com o dançarino (o artista – Shiva é também o mestre das artes, especialmente a dança e a música). Ambos são considerados idênticos nas suas performances, pela completa entrega a Deus. Ele não se envolve com a dança do Universo pois sabe que ela não é permanente. Ele fixa-se na sua própria natureza, no seu ser interior, que é perene.